A essência da vida intelectual segundo A.-D. Sertillanges



O filosofo Olavo de Carvalho (odiado por alguns, amado por outros, mas indubitavelmente um pensador importante) relata que a leitura de A Vida Intelectual, uma das obras mais marcantes do padre A.-D. Sertillanges foi um divisor de águas em sua vida de estudos. Isso porque o brasileiro se extasiou com o fato de que o francês defendia e explicava a verdadeira essência da intelectualidade, a qual estava (e, lamentavelmente, ainda está) muito distante da realidade brasileira. É justo, pois, analisarmos introdutoriamente essa obra colossal.
“O mínimo que posso dizer é que ele decidiu o curso da minha vocação. […] Percebi, com horror, que os princípios mais básicos e incontornáveis da vida intelectual haviam desaparecido completamente da consciência nacional […]”
Olavo de Carvalho
Importa dizer, inicialmente, que Sertillanges considera a vida intelectual como uma consagração. Isso significa que o sujeito — jovem ou velho, pobre ou rico — que se sente chamado (daí o termo vocação) a adentrar nos mistérios da realidade deve fazê-lo sem negociações. Em outras palavras, o vocacionado tem o dever de consagrar seu coração à verdade, de aceitar suas exigências com humildade. Essa afirmação pode ser lida com romantismo ou com distanciamento: em ambos os casos, não se atinge seu real sentido. O que o padre ensina é que o intelectual lida com algo que vai além dos interesses individuais, e isso é duro de se ouvir, apesar de belo.
“Falar de vocação intelectual é referir-se àqueles que pretendem fazer do trabalho intelectual a sua própria vida. […] Exige penetração e continuidade, um esforço metódico, que vise uma plenitude […]”
A.-D. Sertillanges
Suponhamos, por exemplo, um jovem que se interessa muito pelo medievo. O garoto começa a se fechar nesse período histórico, e aos poucos se esquece do presente. Nesse sentido, o autor destaca que o intelectual pertence ao seu tempo, ou seja, ele não pode se dar ao luxo de fugir das necessidades dos seus irmãos contemporâneos. Eis uma cruz que a supracitada consagração exige. Um outro exemplo é a curiosidade vã, que nos faz desviar das necessidades, que dissipa a atenção. Enfim, a alma que decidiu participar da sublime missão de conhecer e divulgar a Verdade está condicionada a essa mesma Verdade. Em suma, a essência da vida intelectual está na consagração total e permanente a esta vida.
“Exclui também uma certa tendência arqueológica, um amor pelo passado que negligencia as dores presentes […].”
A-D. Sertillanges
“[…] Aqueles que desperdiçam suas faculdades reais para adquirir faculdades ilusórias também são curiosos em sua antiga acepção.”
A.-D. Sertillanges
Este texto, por ser o primeiro do blog, é apenas um aperitivo do que pode se tornar este site. Dependendo dos frutos, pretendemos expandir e aprofundar, cada vez mais, os artigos. Se você gostou, demonstre interesse, a fim de que possamos contribuir para o aumento da cultura no Brasil. Obrigado!

2 respostas para “A Consagração da Vida Intelectual: Você Paga o Preço Exigido por Sertillanges?”
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Faz total sentido! Muito bom.
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Muito bom!

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